Não desistas

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domingo, 8 de novembro de 2015

12ª Maratona do Porto



Apesar de não me ter inscrito nesta mítica maratona, o destino reservou uma surpresa muito especial... Tinha decidido este ano não participar na Maratona do Porto, porque já tinha participado 3 vezes seguidas e durante o mês de Novembro, tinha duas provas por participar, o Ultra Trail Amigos da Montanha e a Maratona do Gerês, sendo que a recuperação de uma para a outra seria de apenas uma semana, não me inscrevi.


Ainda em Outubro, ao percorrer o Facebook, vejo uma publicação da Secret Training Portugal com a possibilidade de ganhar um dorsal para a maratona do Porto e não vacilei, participei e...Adivinhem! Fui o feliz contemplado, mas por outro lado seria muito justo para recuperar para as restantes provas... Mas o desafio estava lançado e agora não podia deixar de perder esta oportunidade.
Apesar de ainda estar a recuperar do UTAX, com 15 dias para treinar para a maratona, tentei realizar treino do tipo  expresso.
Não querendo estar aqui com este tipo de discurso extremamente centrado em mim, vou relatar um pouco o que achei da prova, das suas alterações e aquilo que senti ao longo dos 42k.


Cedo me reuni com o Frederico e o Filipe, para ir buscar o Tiago na Maia e ir ter ao local de encontro com o resto da malta da equipa. Mas o Tiago, como tem sido habitual, ficou a dormir, ou então perdeu mais tempo que devido no wc e não se confessou...ahahaha!
Lá nos juntamos todos no local combinado e seguimos para estacionar o carro e tirar a foto da praxe.



A massa humana nesta prova é imensa, é uma prova que tem atletas de todos pontos do mundo e a organização centrou esforços em atingir recordes... será?

Este ano houve alteração no início da prova, passou para o queimódromo do Porto, evitando assim o uso de autocarros para o transporte dos atletas para junto da Boavista, a meu ver até foi um opção excelente.
Infelizmente a saída do queimódromo é ampla mas ao entrar na avenida, afunilou bastante, onde houve alguns tropeções na passagem dos participantes e até se ouviu algumas bocas ao feito.
Mas como o dia é de festa, rapidamente este momento foi esquecido, siga para a frente que ainda temos 42 km para correr.




Realmente o calor complicou tudo e uma pequena brisa que se sentia de frente ao longo de 21 km, sabia que não podia abusar, tentei andar na roda de alguns atletas para reduzir o atrito gerado pelo vento e minimizar esse desgaste, pelos visto não era o único a "andar na roda".







A entrada para a ribeira, é um dos momentos que mais gosto, pois tem muita gente a apoiar e torna tudo melhor para a restante meia maratona que temos pela frente. Não gosto a parte do lado de Gaia que é em paralelo, causa algum desconforto, a maioria opta por subir o passeio para evitar esta parte. Deste lado estávamos protegidos do vento, mas o calor não estava nada ajudar, até que verifico um atleta no chão a ser apoiado pelo Inem, já se adivinhava que o calor iria ter as suas consequências.
Ao chegar a Afurada, muitos populares dão o seu apoio, incentivando os atletas a não desanimar, eu já sentia alguma fadiga e quando dou a volta, verifico que o balão das 3 horas estava a ganhar terreno e que me iria apanhar.
Não demorou muito até chegar a mim, tentei acompanhar o atleta que levava o o balão, olhei para o relógio e o ritmo era abaixo dos  4 minutos por km, extremamente rápido e só consegui acompanhar uns kms, foi até a subida da Ponto D. Luis.


Neste momento senti o muro, o calor não ajudava, bem como a mente começava a dar ordens para parar, tinha vontade de urinar mas não queria parar....
Sabia que o André estaria por volta do km 32 ou 34, para me entregar o gel e aí tive que parar... perdi alguns segundos, mas já não tinha que lidar com esse conflito na minha mente. Faltam cerca de 8 km, estes são os mais duros e parte do percurso não ajuda, principalmente quando passamos a Fortaleza de São João da Foz, na parte em paralelo, a subir e com o vento sempre de frente desde os últimos kms, mas rapidamente ultrapassamos isso, começamos a visualizar mais pessoas a apoiar, alguns atletas da Family Race vinham dar apoio ao pessoal da Maratona e isso ajuda mesmo.



Ao longe avisto o Isaque, infelizmente tinha ficado pelos 21 km e disse me que iria comigo até a meta. Foi sempre a puxar por mim, neste momento mesmo sabendo que estava a finalizar, estaria a um ritmo abaixo do desejado, a sentir-me muito desidratado, mesmo tendo bebido bastante ao longo da prova. Já ao chegar a última rotunda, a massa humana é imensa, várias pessoas vão aplaudindo os atletas, as Espanholas são incansáveis, lá vejo o Taxa, que ainda me deu um último impulso, entro no último km e o Isaque ficou por ali. Obrigado amigo, foste uma grande ajuda.


O sentimento é de conquista, superação, nestes momentos revejo a imagem do meu filho na incubadora do serviço de Neonatologia, penso sempre o quanto ele lutou para viver, está quase, penso eu, mesmo que não dentro do meu tempo, esta já está. Parabéns!









































domingo, 3 de novembro de 2013

10º Maratona EDP Porto 2013



O ano passado tinha concluído uma prova deste calibre, por isso já sabia o que me esperava durante 42 longos km. Mentalmente, tinha definido um objectivo bastante ambicioso, mas estava disposto a sacrificar o corpo e a tentar atingi-lo, refiro-me a concluir a maratona o mais próximo possível das 3.00 horas, menos 30 minutos que o tempo que demorei o ano passado.

Sábado de tarde, dorsal na mão, passagem pelos expositores que se encontravam no local, nada de novo, sempre a mesma coisa, encontrei o Antônio Nascimento, que continua na sua preparação para o Ultra Man 2014. Lá encontro pessoal do costume, o discurso era sempre o mesmo, "boa prova!", "que tempo vais fazer?", "até amanhã!". Regressado a casa, tempo para colocar o dorsal, a foto da praxe e o meu filho quase que me rasga o dorsal, que sorte, eheheheh! Tudo preparado! Agora toca a ir dormir e não esquecer de ligar os despertadores!

Noite bastante atribulada, o meu filho já tem por hábito, não sei se será pura coincidência ou não, sempre que tenho uma prova, na noite anterior, não me deixa dormir o suficiente e nesta não fugiu a regra, pois de hora em hora estava sempre a sonhar e a mandar vir...
Despertador toca e eu já estava acordado, siga, tomar o pequeno almoço, seguindo a fórmula que encontrei para uma refeição digna para enfrentar uma distância como a que me esperava. Já equipado, verificar se não ficava nada esquecido, ainda bem que tenho este hábito, pois o dorsal já ia ficar no esquecido. Lá me faço a estrada, rumo ao parque da cidade.

Chegado ao parque, arranjei logo local para estacionar o carro, agora vamos para o autocarro, que parte da avenida da Boavista em direcção ao local de partida, já bastantes atletas se juntavam no local e mal um autocarro ficasse completo, arrancava logo e eu arranjei logo um pronto a partir e siga.
Cheguei ao local da partida e dirigi-me ao local onde podia tomar café ou chã, não estava ainda muita gente e a fila andava normalmente. Decidi ir para uma fila para usar um WC e estive lá cerca de 10 minutos e a fila não andou, nem um metro sequer, tive que arranjar alternativa, não fosse o organismo pregar uma rasteira a meio da maratona. De seguida, foi de encontro com o resto da malta do Desnível Positivo, para a foto de grupo e realizar a entrega do saco para a meta. Faltavam cerca de 15 minutos e fomos para a linha da partida, já se encontrava muita gente, mas da forma que a runporto tem isto organizado, a entrada de atletas funciona bem e aos poucos o tempo para o tiro de partida diminuía.


Partida!
E longos 42 km pela frente, o primeiro km é sempre a subir o que dá para começar lentamente, o pessoal da family race é que saí disparado, pois a prova deles só tem 16 km. Conforme vou avançando, encontro malta conhecida, ao ritmo que vou neste momento ainda dá para ter algumas conversas, passamos o estádio do Bessa e esta parte do percurso é sempre a descer, decidi aproveitar a descida e mantive um ritmo a rondar os 4.00/km, estava a sentir-me bem, apesar de saber que poderia vir a pagar cedo a factura.
Lá dou a volta na Maia e venho a escassos metros do balão das 3.00 horas, penso: "tenho que apanhar o balão!", o objectivo foi sempre esse, neste momento olho para o relógio e tinha a média do km 3.55/km, ritmo alto demais para quem vai fazer 42 km.


















Mal dei a volta na Afurada, encontrei o meu muro, acho que deveria estar a caminho dos 25 km, comecei logo a reduzir o ritmo e foi aí que o corpo tomou controlo da mente.
Os km demoravam a passar, cheguei aos 30 km, passo novamente a ponte D. Luis, os espanhóis davam um apoio terrível, ainda bem que havia espanhóis ao longo do percurso. Km 35, tinha mesmo uma vontade terrível de parar, já tinha sido ultrapassado por um grupo de 15 elementos, desmoralizei novamente, e lá aparecem umas espanholas a bater palmas e a dizer: "animo, já falta pouco", mas estes 7 km foram muito penosos.
Km 40, abastecimento, aí parei e bebi um isotónico, bem estava a precisar, siga vamos para os últimos 2 km, olho para o relógio tinha um ritmo de 5.30 km/h, demorei cerca 11 minutos a chegar a meta, mas quando cruzamos a meta, todo o sofrimento é compensado pela sensação de realização, julgo até que esta sensação se torna viciante, saudei dois camaradas que tinham chegado ao mesmo tempo que eu e rapidamente me dirigi para tomar o verdadeiro isotónico, uma cerveja preta.







E pronto, mais uma prova rainha concluída, espero que tenham gostado do relato e brevemente terei mais novidades no blog.

Saudações desportivas,

A.Costa